Autoestima

Autoestima não é autoajuda. O que a psicoterapia realmente trabalha

Frases motivacionais podem animar por um dia. A forma como você se enxerga, porém, foi construída ao longo de uma história inteira, e é dela que a terapia se aproxima.

Autoestima virou um produto de prateleira. Tem frase motivacional, curso relâmpago, promessa de amor próprio em sete passos.

Nada disso é de todo inútil. Um bom lembrete pode animar o dia. Mas se fosse assim tão simples, ninguém sofreria mais com a própria imagem depois de ler uma frase bonita.

Como psicóloga, quero fazer uma distinção que considero importante. Autoestima não é autoajuda. E a psicoterapia trabalha em um lugar bem mais profundo.

Autoestima não se conserta com frase motivacional

A forma como você se enxerga não é um interruptor que se liga com uma frase de efeito.

Ela é uma construção. Foi se formando ao longo de anos, a partir do que você ouviu, do que viveu, dos olhares que recebeu, das comparações que atravessaram a sua história.

Por isso uma frase motivacional pode até dar um respiro momentâneo, mas raramente muda a raiz. No dia seguinte, a mesma autocrítica volta, porque o que a sustenta não foi tocado.

De onde vem a forma como você se enxerga

Ninguém nasce achando que não é suficiente. A gente aprende.

Aprende no jeito como foi vista dentro de casa. Aprende no que foi elogiado e no que foi cobrado. Aprende nas comparações com irmãos, com colegas, com um ideal que talvez nunca tenha sido seu.

No olhar da terapia familiar sistêmica, esse aprendizado quase sempre tem raízes na história familiar. Às vezes você carrega uma cobrança que nem começou em você, mas que foi passada de geração em geração como se fosse uma herança invisível.

Entender isso não é procurar culpados. É devolver o peso a quem ele pertence, para que você não precise mais carregar sozinha o que nunca foi só seu.

O que a psicoterapia faz de diferente

Aqui está a diferença que faz diferença.

A psicoterapia não te ensina a decorar que você é incrível. Ela te ajuda a compreender por que, no fundo, você duvida disso. E a partir dessa compreensão, algo começa a se mover de verdade.

Em vez de cobrir a ferida com uma frase, a gente olha para ela. Em vez de forçar um amor próprio de fachada, a gente reconstrói, no seu tempo, uma relação mais honesta e mais gentil com quem você é.

Não é rápido e não é mágico. Mas é real, e o que se transforma tende a permanecer.

Autocrítica, cobrança e o nunca sou suficiente

Uma das dores que mais escuto é essa. A sensação de nunca ser suficiente, faça o que fizer.

Essa voz interna que cobra sem parar costuma ter uma origem. Ela quase sempre é o eco de uma voz antiga, que um dia foi de fora e virou de dentro.

No processo terapêutico, a gente aprende a reconhecer essa voz, a entender de onde ela vem e a construir, ao lado dela, uma voz mais compassiva. Não para calar a autocrítica de uma vez, mas para que ela deixe de ser a única no comando.

Um caminho possível, no seu tempo

Não vou prometer que você vai acordar amando tudo em você. Seria desonesto, e eu não trabalho assim.

O que posso dizer é que existe um caminho possível. Um caminho em que a autocrítica perde força, em que você para de se medir por réguas que não são suas e passa a se reconhecer a partir de quem realmente é.

Autoestima, nesse sentido, não é achar que você é a melhor. É deixar de ser a sua pior inimiga.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual. Se essa dor de nunca se sentir suficiente fala de você, podemos conversar sobre como um processo terapêutico poderia te apoiar.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui uma sessão de psicoterapia nem uma avaliação individual. Ana Barreto é psicóloga, CRP-15/3360. Em caso de crise ou pensamentos de morte, ligue para o CVV no 188 (24h, gratuito) ou acione o SAMU 192.
Dúvidas

Perguntas frequentes

A autoajuda oferece dicas gerais e motivação, que podem ajudar pontualmente. A psicoterapia é um processo individual, conduzido por um profissional registrado, que olha para a sua história e para a raiz do que você sente. Uma anima, a outra transforma no tempo.
Depende de cada pessoa e da sua história. Não existe prazo fixo, e desconfie de quem promete resultado rápido. Algumas mudanças aparecem cedo, outras pedem um caminho mais longo. O ritmo é sempre o seu.
De forma alguma. A forma como você se enxerga afeta os seus relacionamentos, o seu trabalho e o seu bem estar. É um tema legítimo e cuidar disso é um gesto de responsabilidade com a própria vida.
Sim. O trabalho com a autoimagem e a autocrítica se dá pela escuta e pelo vínculo, que se constroem plenamente por videochamada. O atendimento online preserva toda a profundidade desse processo.

Talvez seja a hora de olhar para essa história com outros olhos.

Você não precisa entender tudo agora. Só precisa dar o primeiro passo, no seu tempo.

Primeira conversa de acolhimento: um bônus de 15 a 20 minutos, sem compromisso.